Anciosos pela falta de sinalização e pela chegada quase que utópica.
O dono do paraíso, disse que a pousada morava no KM 99, porém as placas matreiras tornaram-se invisíveis já que insistiam em indicar caminhos inusitados. Já o instinto, sempre rebelde, fez morada e tratou de traçar o caminho perdido. O instinto se encontra nas referências mal desenhadas e só assim desvenda caminhos.
Estradinha de terra de chão batido, cheiro de mato, capim baixo e um belo cão que de tão negro se confundia com o marrom escuro da madeira que desenhava a arquitetura bucólica e apaixonante da entrada daquele lugar de repouso e calmaria para alma. Enfim, chegamos!
A trajetória até o bangalô estava marcada por pequenas pedras onde o encontro com os pés gera um tom musical, como estourar uma castanha nos dentes, como caminhar rumo a novas descobertas.
A arquitetura de cores vivas parece ser inerente aquele espaço, tudo tão carinhosamente construído que cada espaço levantado sugeria ter nascido ali mesmo. Nada celebrava a ganância, tudo em perfeita harmonia orgânica com a natureza.
Sempre que chego ao paraíso, transbordo até mudar de fase, viro líquido, perco o rumo, sou decadente com orgulho. É meu porto seguro, meu lugar de pertencimento.
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